quarta-feira, 12 de junho de 2013

Dia das namoradas




Hoje é dia dos namorados. Não, hoje é dia das namoradas. Nosso dia.
Feliz dia do arco-íris, meu bem =)

teu presente chega jajá no teu mural ;)

domingo, 5 de agosto de 2012

Explosão

Aconteceu da melhor forma possível: inesperadamente, No início ela tentara, de um jeito, de outro, e nada. Então, no momento em que ela parou pra refletir o que faria a seguir, aconteceu.
E foi maravilhosamente delicioso. Ela nunca vira um balão d'água estourar de forma tão surpreendente.

08/05/2010
Estava apaixonada novamente! Que incrível! Que maravilhoso! Que conveniente! Se sentia tão feliz que poderia gritar, cantar, pular! Cantou. "I can't see me loving nobody but you, for all my life!" O dia estava lindo, os passarinhos cantavam, o mundo parecia um lugar perfeito pra se viver! A menina sapateava no caminho pra casa, sorrindo pra todas as pessoas que cruzavam a sua frente. Atravessou a rua num êxtase indefinível.
"Chama uma ambulância! Chama!" Várias pessoas se amontoavam ao redor de um corpo que jazia no chão, próximo ao microônibus que o atingira. Um rapaz que se disse médico aproximou-se e mediu o pulso da menina. Fraco. Muito fraco.
"Essa menina tinha acabado de passar pela minha banca.. Ela parecia tão feliz.. Que lástima, que lástima..." "Eu vi ela cantando, parecia que tinha acabado de ganhar na loteria..."
O pulso da menina parou.


Abril/2010

sexta-feira, 30 de março de 2012

Caçador de aplausos

Entrou no palco listrado e começou seu pequeno show. Já nem se lembrava mais quantos tinha feito naquele dia. Sabia tão bem os movimentos, que os poderia fazer de olhos fechados. Fazia. De olhos fechados, cabeça pra baixo, braços trocados, tudo pra agradar sua platéia fiel. E nenhuma bolinha escapava de suas muitas mãos.
Já era hora de terminar seu show cronometrado e agradecer a todos os presentes. Prestou uma reverência, mas, como sempre, seus convidados não o aplaudiram. Apenas lançaram olhares metalizados para o artista, enquanto ele ia de um em um bater no vidro para juntar as moedinhas do pão de cada dia.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Clave de Fá

Entre o negro do céu, do oceano, e do piche, tudo que se podia enxergar eram os faróis dos carros que passavam esporadicamente, como que apenas para não deixar a paisagem em tão completa escuridão.
Um carro parou. Pude apenas observar a silhueta de uma mulher antes que os faróis se apagassem e a escuridão retomasse. Mulher não, menina. Ou seria uma mulher? Desisti de classificá-la e apenas senti seus movimentos do carro até a muralha de pedra que impedia o avanço do mar. Não tinha pressa.
Mais nenhum carro passava pela rua cuja virgindade fora tirada pela menina-mulher que ali meditava, parada diante do mar, os olhos faiscando de admiração por aquele negrume revoltoso que jazia sob seus pés. Era a única coisa que eu conseguia enxergar. As faíscas que saltavam dos olhos dela. Olhos tão negros como tudo que estava ao seu redor. Mas ainda assim com um brilho inextinguível, inalcançável.
Outro brilho chamou minha atenção, e vi que acendia um cigarro. Junto com a fumaça que saía da sua boca, vieram as primeiras notas. Começou devagar, baixinho, como que cantando pra si mesma. Sua voz era suave, e me espantei com o quão gostosa era a sensação dela nos meus ouvidos. À medida que foi cantando mais alto, senti arrepios que se tornavam incontroláveis quando aquela voz alcançava graves que eu nunca sonhara em cantar.
Silêncio.
O cigarro apagara, e me desesperei.

O único cigarro que me restava tinha acabado. Me virei para ir embora quando um vulto surgiu à minha frente. Apesar da escuridão que nos engolia, não senti medo.
Me estendeu um cigarro, e com um sussurro agudo me pediu para cantar.
Na luz que veio da chama do isqueiro, enxerguei. Um par de asas. O meu olhar intrigado foi o suficiente para me fazer ficar novamente sozinha. Sozinha não. Eu sabia que em algum lugar nas trevas minha voz estava sendo esperada. Então cantei. Não sei por quanto tempo, mas quando silenciei o cigarro já havia acabado há muito. Ainda estava escuro. Tive a impressão que o sol nunca nascia naquele lugar.
Eu não queria ir embora, mas havia algo que eu precisava fazer, muito longe dali, em outro mundo talvez.. Então me virei e comecei a caminhar em direção ao carro.

Eu sabia que ela pararia, um dia haveria de parar. Ainda assim, a falta de notas deixou alguma espécie de vazio dentro de mim. Sussurei um agradecimento com a minha voz fina. Ela respondeu "o prazer foi meu."
Entrou no carro, deu a partida, e se foi, deixando a rua novamente no seu silêncio habitual.
Mas era óbvio que aquele lugar nunca mais seria o mesmo. Muito menos eu, continuaria a ser o que costumava ser.

sábado, 15 de outubro de 2011

Vermelho-sangue

escuridão total. uma chama acende os contornos sutis de um rosto feminino. susto. ah, sou eu. meu reflexo no espelho do banheiro parece um pouco cadavérico em virtude da luz fraca e tremeluzente. Com a escassa luz do isqueiro, procuro uma vela na gaveta mais baixa. acho duas, lá no fundo, e as levo para a cozinha, aonde as acendo sobre um pires lascado.
Fome. já que há velas, porque não um jantar a luz de velas? Apesar de isso parecer absurdamente solitário, ponho as velas num castiçal oxidado que jazia há muito esquecido na área de serviço, e o ponho no centro da mesa. ele não parece oxidado na luz amarelada. seu prateado se ilumina com o dourado das chamas, e ele parece novo. me ponho a trabalhar. corto verduras, legumes, camarões, temperos, tudo apenas na luz das velas e do fogão, mas ainda assim, caprichosamente, como que para agradar o paladar e a escassa visão de um outro alguém. o cheiro toma a cozinha. acho que nunca fiz algo tão gostoso. quando parei pra pensar como seria bom que ela o provasse, à luz de velas, comigo, me lembrei. corri pro quarto. e lá estava ela, indefesa, adormecida. minha visão já acostumada à escuridão conseguia definir as formas femininas do corpo dela.. mas o tato sempre foi um sentido muito prezado por mim. e assim, a senti inteira com a ponta dos meus dedos, até que cheguei aos seus lábios. com um beijo leve, sussurrei "vem jantar comigo, meu amor". ela abriu os olhos lentamente, como quem sai de um sono leve, e eu vi o sorriso primeiro neles, aqueles olhos que brilhavam não importasse o quão escuro o mundo inteiro estivesse, e depois nos seus lábios.
estendi minha mão, e notei que ela usava um vestido vermelho, e só então também reparei que usava um vestido, negro. a guiei até a cozinha. sem tirar os olhos daquele sorriso leve que me alegrava inteira, e puxei a cadeira para ela sentar. fui até a sala, e coloquei uma música lenta pra tocar baixinho. quando voltei à cozinha, havia sobre a mesa uma garrafa de vinho tinto e duas taças, ambas preenchidas com o líquido vermelho-sangue. ela olhou pra mim e ergueu a taça quando me sentei. "a nós." ela sussurrou "a nós." eu respondi, tocando levemente minha taça na dela, e tomamos um gole. me levantei e pus a mesa, aquela refeição magnífica que nunca em mil anos imaginei preparar. mas estava lá, e era deliciosa.
a garrafa de vinho já estava na metade, e os pratos vazios. ela se levantou, estenteu a mão pra mim, e quando a tomei na minha, me puxou para um abraço. começamos a dançar. no início devagar, acompanhando a música lenta. mas as músicas foram crescendo, assim como nossa volúpia, e em instantes dançávamos um tango furioso, cegas de desejo, praticamente despidas. a cama, tão distante, não foi nem cogitada. nos amamos ali no chão mesmo, ao som de alguma música clássica que acompanhava com perfeição nossos momentos de desespero e calmaria.
olhei para os nossos vestidos entrelaçados, e em seguida nossos corpos, também entrelaçados. a única luz da casa eram as velas, que já ameaçavam apagar. disse que te amava. foi quando a escuridão veio e levou a música junto.
Me acordei repentinamente. tinha lembranças muito vagas de algum sonho que parecia muito bom. nele, ela morava na minha casa. nele, eu sabia cozinhar divinamente e dançar muito bem.. mergulhei na sensação dele e fiquei alguns instantes nesse estupor, até que senti um cheiro excelente vindo da cozinha. no momento que pus meus pés no chão, ela apareceu, com o mesmo vestido vermelho do sonho. com um sorriso, balançou as chaves-reserva que eu sempre deixava no vaso do lado de fora do apartamento. achando graça no meu estupor, me pôs novamente na cama, e apenas com um olhar, me disse pra esperar, ela tinha uma surpresa pra mim. saiu fechando a porta do quarto. me levantei imediatamente, e abri a porta do armário. meu vestido preto estava lá. o vesti com uma sensação de déjà vu, e acabei adormecendo novamente na espera. quando acordei novamente, havia apenas escuridão, e os dedos dela percorrendo minha pele. Senti um beijo leve, e um sussuro "vem jantar comigo, meu amor". E me deixei ser levada sorrindo, pelas mãos suaves da mulher da minha vida.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ele estava profundamente apaixonado. Ela era tudo que ele sempre sonhara, e viver com ela era tudo que existia em sua vida. Moravam juntos, num aparamento minúsculo entre dois arranha-céus. Ele não lembrava exatamente como a havia conhecido, mas ale dizia que era coisa de homem, e se conformava, contando uma história linda de sol, parques, vinho e irrigadores, e ele acreditava.
Ela era veterinária, e ele a auxiliava na tarefa. Não se desgrudavam, o dia inteiro. Os amigos dela não falavam com ele, mas ele nunca se importara com esse fato, tímido como era. Ele deduzia que tal tratamento era por roubar tanto tempo dela, e compreendia, se limitando a rir das piadas e segurar a mão dela quando saiam juntos. Depois voltavam pra casa e ela o abraçava e dizia o quanto ele era perfeito e diferente de qualquer outra pessoa nesse mundo, e faziam amor até cair no sono.
Mas ser ignorado por ela na frente de clientes e amigos sempre o incomodara, e houve um dia que ele não aguentou mais. Depois de tanto tempo juntos, eles brigavam pela primeira vez. Ele falou, falou, falou, e ela se limitou a ouvir. Quando o silêncio se fez ouvir, ela olhou pra baixo e disse: "é que você é fruto da minha imaginação."
Ele ficou atordoado. Mas riu descrente, até que ela insistiu "Você é meu namorado imaginário." E aí ele compreendeu. O modo como suas respirações eram sincronizadas. Como seus movimentos eram parecidos. Não lembrava de ter vida antes dela e soube que não haveria sem ela. Um pouco de desespero o tomou, mas aí se decidiu. Precisavam um do outro, então ele ficaria.
E ele ficou. Até que ela o pediu para ir embora. Quando já estava casada e grávida. "Tarde demais" ele disse. Mas aquilo não estava nas mãos dele. Se notou mais claro a cada dia, esmaecendo. Quando a criança nasceu, só teve tempo para uma último olhar, antes que desaparecesse completamente da face da terra. e da memória dela.